Artesãos da vida

terça-feira, 22 de setembro de 2009 às 20:02
O Centro da cidade de Florianópolis (SC) é um lugar em que a contradição e o choque de culturas é nítido. Foi quando fazendo o trajeto Terminal Integrado de Florianópolis ao Terminal Rodoviário Rita Maria percebi as duas situações.

Do lado de lá da calçada há pessoas em luxuosos carros que passam buzinando. E também, gente andando a pé, em passos rápidos, olhando o horário no relógio e falando ao celular. Estão na corrida diária contra o tempo. Uma dessas pessoas, inclusive, era eu até parar e analisar a situação seguinte.

Do lado de cá da calçada estão eles, com panos estendidos ao chão e fazendo da rua, uma vitrine para exibir o próprio artesanato. Sentam ao conforto da grama, acendem o cigarro e ali ficam até conseguir o tostão do dia.

Trajes de cores berrantes, velhas e rasgadas, oposição ao capitalismo, homens e mulheres com cabelos compridos, sexo liberal, apologia as drogas e uma filosofia: viver de Paz e Amor. Estas são algumas características do estilo de vida hippie


Bula da velha hippie

Overdose de vida é do que ela tem medo. “A vida me inspira”.
Vestida com calça jeans sem bainha, uma blusa verde fluorescente com a gola cortada, um casaco colorido, cabelos grisalhos e despenteados, a velha e simpática Cigana, como é conhecida, já foi falando “Sou hippie por opção”. E ela ainda completa “não troco essa minha vida por nada”.

Cigana nasceu em Rosário do Sul, mas se criou em Porto Alegre, ambas as cidades no estado do Rio Grande do Sul. Ela tem 54 anos e se considera hippie desde os oito - idade em que começou a aprender a confeccionar artesanato e viajar para cidades vizinhas para vender a produção.

Amante dos museus, livros, artesanato, rock e reggae, Cigana já viajou por todos os cantos do Brasil e alguns países da América Latina (Bolívia, Chile, Uruguai, Argentina e Peru). As viagens internacionais, todas foram feitas pegando carona na estrada com os caminhoneiros. As no território nacional, algumas foram feitas de ônibus, mas a maioria também foi com carona.

“Já voei de avião uma vez, mas foi por necessidade. Precisei levar meu filho com urgência ao médico em São Paulo. Eu gosto mesmo é de viajar de carro, para conhecer cada cidadezinha que passo”, revela a hippie que ainda tem o sonho de conhecer o México. E um desejo: “Eu queria que o mundo não tivesse tanto progresso. As pessoas deixaram de se amar”, diz a velha, hippie e sábia.

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