Cabelo loiro, comprido (abaixo dos ombros), vestia um calçado de couro verde feito por ele, surfista, vegetariano, unhas e dentes limpos, viajante e paranaense nativo da Ilha do Mel. Everton Trentin, o Polaco, tem 28 anos e desses, dez ele está morando em Florianópolis.
- Posso conversar contigo? Eu perguntei.
- Claro, senta aí, fica a vontade, respondeu o Polaco com tranqüilidade.
Eu me sentei no chão de cimento, por de trás da vitrine dos artesanatos dele, encostada numa cerca de arame, no centro da cidade. O mais interessante: eu me senti a vontade e como se estivesse conversando com um amigo no sofá da casa dele.
Polaco acorda diariamente às 6h da manhã, surfa e quando não está chovendo vai ao centro da cidade vender os artesanatos. Caso chover, ele fica produzindo em casa. “A minha vida é sossegada, não me falta nada. É disso que eu gosto. É da natureza”, diz o hippie surfista.
Ele ainda afirma que todo o movimento da cidade, poluição, a corrida frenética das pessoas não afeta a tranqüilidade da vida dele. “Sabe que eu nem percebo tudo isso acontecendo aqui na minha frente?”. E quando eu pergunto se ele s
e vê entre quatro paredes, trabalhando numa cadeira confortável e no ar condicionado ele repudia e diz “essa foi a vida que escolhi para mim”.
A conversa ia se estendendo e ele não largou o alicate de trabalho em nenhum momento. Conversávamos e ele ia produzindo, naturalmente. As pessoas paravam e ele as atendia com educação.
Ele ainda me conta que os únicos estados do Brasil que ainda não conhece são Rondônia e o Acre e que também já foi à Espanha, Argentina e Paraguai. Polaco revela: “Sonho em viajar muito e surfar em muitos lugares. Sempre com uma mochila nas costas, prancha embaixo do braço e meus artesanatos para me manter”.
No final da tarde, ele volta para a casa de madeira que ele próprio construiu, em Ponta das Canas, para descansar, talvez surfar. Quem sabe o que vai acontecer daqui a um segundo?
A hippie enóloga
Graciela Mankowiski. Este é o nome da moça que possui apenas 23 anos, é casada, cursou enologia e que com 16 anos decidiu o rumo que levaria a vida “Vou virar louca”, conta.
Sem residência fixa, celular, câmera digital e computador, Graci registra as viagens em fotografias que tira com a câmera analógica e num caderno que carrega na mochila no qual faz anotações.
Graciela está sempre viajando de um lugar ao outro. Conhece boa parte dos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo. O lugar que sonha conhecer: Machu Picchu, cidade localizada no Peru. Próximo destino: ela diz que não sabe, mas que tem um mapa guardado e escolhe a dedo a próxima parada. Sentido da vida: conhecer os lugares.
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