Anexo – Bastidores de Raquel N.

terça-feira, 17 de novembro de 2009 às 15:55
Perguntamos para alguns amigos se conheciam alguma prostituta e todos negaram. Ligamos para algumas anunciantes de jornal e nenhuma topou. Foi ousado e difícil conseguir a personagem, mas mantemos a perseverança e a coragem.


Fomos então para as ruas do centro de Florianópolis, onde sempre há travestis e prostitutas nas esquinas. Conversamos com duas. Uma topou (Nega Gi) e a outra só pagando o valor de um programa para dar entrevista. Combinamos de voltar no outro dia à noite para conversarmos com a Gi.


Chegando lá, perguntamos para as mulheres que estavam na rua pela Gi e ninguém sabia onde ela estava. Uma delas falou: Sobe lá (no bar), eu sou nova aqui, não conheço ela. Subimos.


Não encontramos a Gi. Perguntamos por ela para a moça que estava de pés descalços, calça jeans e blusa branca atenta à novela que exibia na TV. Era a Babi, que coincidentemente dividia a casa com a Gi. Conversamos com Babi e achamos interessante a história dela. Até então ela não tinha topado dar entrevista. Foi um bate-papo informal. Tentou parar de falar algumas vezes, mas prendemos atenção dela.


Ela comentou que o livro Christiane F. era como se tivesse sido escrito para ela. Foi então, que ao perceber que ela gostava de livros, perguntamos: Não queres ler a tua própria história?
Começamos, de fato, a entrevista. Durante a semana passamos à tarde na casa dela, com ela, fomos à padaria que o pai dela trabalha e marcamos a entrevista com ele. No outro dia à noite, entrevistamos seu Nilo, pedimos o telefone da Rosana e ligamos no dia seguinte de manhã.


Fizemos uma entrevista rápida, pelo telefone mesmo, mas acabamos que à tarde fomos à casa dela, onde entrevistamos a mãe, a irmã e a filha de Babi.


Foi uma reportagem difícil de conseguir o personagem, mas surpreendente, pois foi ao acaso que conhecemos Babi e ela nos recebeu muito bem. Foram dias corridos, ouvindo sofrimento, mágoas, aventuras, vendo lágrimas caírem, e a gente tentando não se perder nas emoções.


O trabalho foi muito válido. É sempre bom estar na rua encontrando boas histórias, seja na periferia ou em bairros nobres, sempre há alguém querendo um ouvido para escutá-lo.


Não sabemos se foi por sorte ou pelo modo com que abordamos os personagens, mas com certeza, foi uma história inesquecível e que a gente torce para que tenha um final feliz. Sem dúvidas, eles merecem.

Texo redigido por Cristini Moritz e Jonathan Resque.

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